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2017/12/4

Defenda-se da morte da sua agência

Helder Cervantes
Especialista web
A experiência diz-me que provavelmente não está preparado para lidar com a perda.

Já faço isto há quase vinte anos e nunca me cruzei com um cliente que encarasse este tema de forma tão séria como devia. Imagine por um segundo que as pessoas que desenham a sua marca, que mantêm o seu site, que gerem a sua media social, de repente desaparecem. O que levam consigo?

Ao longo dos anos ainda lidei com algumas pessoas que demonstravam essa preocupação, mas mesmo estes não faziam ideia que precauções tomar para, caso eu sumisse, não ficarem a chorar como viuvas. Muitas vezes repetiam o que leram ou ouviram algures, sem grande noção do que estavam a dizer. No final de contas, todos acabam por se deixar tornar dependentes de um fornecedor.

Por isso, sem nenhuma ordem em particular, aqui vai uma lista de precauções que acredito que todos os clientes deviam ter, e que todas as agências com um mínimo de ética devem assumir.

Diga não a soluções proprietárias

Em 2016 reconstruí 3 sites para clientes que tinham soluções proprietárias. Eventualmente quer-se acrescentar funcionalidades, corrigir um bug, integrar uma coisa qualquer e chega-se à conclusão que o código do site está trancado, não documentado e é um beco sem saída. Nestes 3 casos pretendia-se acrescentar funcionalidades, e os clientes tiveram que migrar para uma plataforma nova para o fazer.

Agora, têm um CMS que pode facilmente ser extendido e se por algum motivo eu não estiver disponível, não será assim tão complicado encontrar outra pessoa que consiga construír a partir do que está feito.

Por isso se a plataforma do seu site não for gratuita e opensource, tem que haver um motivo mesmo muito bom para isso. E é bom que esse motivo não seja segurança, porque isso é a maior das tretas.

Seja dono de tudo

Ai se eu ganhasse um Euro por cada cliente que me apareceu aflito, trancado fora do seu site. Para publicar um site, é preciso alojá-lo (alugar um espaço num servidor web) e registar um domínio. Isto é algo que normalmente a agência trata por si, e às vezes fazem estes registos no nome deles. Depois a relação azeda, o cliente não tem acesso ao espaço que alberga o seu site, e torna-se refém da boa vontade de alguém que não quer ver nem pintado.

Por isso deve sempre pedir para ficar registado como o titular, ficando a agência como gestor técnico. Na verdade, diria até que a agência ficar como gestor técnico é algo que só deve acontecer quando há algum tipo de serviço que lhe estejam a fornecer que assim o exija ou que fique facilitado. Mas raramente é o caso. O que normalmente acontece é o cliente pagar 10x o que o fornecedor real cobra só para ter uma agência no meio da operação, sem qualquer vantagem.

Já agora certifique-se que também é sua a conta Google a que fica associado o analytics, a conta Facebook, YouTube, Twitter... TUDO!

Fique com o código-fonte

Peço desculpa pela conversa de programador. Há código-fonte e código compilado. O mero acesso aos ficheiros do seu site não significa necessariamente que tem o controlo completo.

Só a título de exemplo, vamos ver a diferença entre código-fonte SCSS e CSS compilado:

Este é o aspeto de código-fonte (à esquerda) comparado com código compilado (à direita).Este é o aspeto de código-fonte (à esquerda) comparado com código compilado (à direita).

Este é o código que controla a aparência das suas páginas. É isto que diz ao navegador que tipos de letra usar, que cores, que tamanhos, etc. Muitos, senão a maioria dos web developers constroem isto em SCSS, que é uma linguagem que os navegadores não sabem ler, mas que permitem a quem o escreve manter o código organizado, são, e manejável. O SCSS depois é compilado para CSS comum, esse sim que é lido pelo navegador. Este processo esmaga todo o código num bloco denso que é muito mais rápido de carregar. Mas dê isto a outro developer para trabalhar e imediatamente deitam abaixo um whisky de golada e começar a questionar as suas decisões de carreira.

Certifique-se que pergunta se o seu site terá código compilado e exija ficar com uma cópia final do código-fonte, bem como de tudo o necessário para o compilar.

Elementos de design

O mesmo aplica-se a tudo que for design. Antes do seu site ser programado, ele é desenhado num software como o Photoshop, Illustrator, Sketch, ou o meu favorito, o Affinity Designer. Você provavelmente não tem nenhum destes programas, mas nunca se sabe quando poderá precisar de passar estes ficheiros a alguém para extraír elementos.

Não se esqueça também de pedir os tipos de letra usados, bem como quaisquer imagens de banco que possam ter sido compradas no processo, na maior resolução disponível.

E se produzir cartões de visita, brochuras, ou quaisquer materiais impressos, você tem que saber que papel foi usado e tem que ter acesso aos ficheiros de arte-final que foram enviados para a gráfica. Caso contrário a próxima remessa não vai saír igual.

Pensamentos finais

E não me ocorre mais nada, pelo menos do ponto de vista dos serviços que normalmente ofereço. Espero que esta lista lhe dê uma melhor ideia e orientação para uma conversa, na próxima vez que contratar alguém para lhe construír um site ou desenhar um logotipo.

Não há desculpa absolutamente nenhuma para se tornar dependente de uma agência. A sua agência também não deve nunca ter medo de lhe deixar a porta aberta para saír quando bem entender. Estas relações são feitas de confiança e valor acrescentado. Tão simples quanto isto.

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