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2016/9/26

Ainda usa WordPress?

Helder Cervantes
Especialista web
A plataforma mais usada no mundo não foi sequer nomeada para o CMS Critic Awards deste ano. E esta?

Com total transparência: Sou tendencioso. Adoro o ProcessWire e odeio Wordpress. Estou numa missão de fazer o ProcessWire tão popular como acredito que merece ser. Este artigo reflete isso ao comparar ambas as plataformas. Mas não vou mentir. Prometo.

Dito isto, ontem recebi uma newsletter da CMS Critic a apelar ao voto nos prémios deste ano.

Para quem não conhece, o CMS Critic é um site dedicado a plataformas de gestão de conteúdos online. Lá encontrará críticas, dicas e todo o tipo de notícias dedicadas a quase todos os CMS que existem. Nas suas palavras:

“The CMS Critic awards were started three years ago in order to fill a gap that was missing in the business software industry. While there have been similar awards in the past that have been given out, none have been truly focused on ensuring fair exposure and opportunity to all players in the market. This is the reason the CMS Critic awards were created.”

De início surpreendeu-me não ver o Wordpress nomeado para NENHUMA das 20 categorias. Estas incluem "Melhor CMS Open Source", "Melhor CMS Gratuito", e "Melhor Software de Blog". Ironicamente, existe também uma categoria "Melhor Hosting para Wordpress",

Interpreto isto como um indício de que o Wordpress, apesar de ainda ser o CMS mais popular, já não é considerado a melhor solução. Já o sinto há anos, mas agora parece que um número considerável de pessoas concorda comigo.

Para que raio serve o Wordpress?

Inicialmente, para quem não acompanhou os primórdios do WP, este era uma plataforma de blogs. Adorei-o quando surgiu. Era limpo, bonito, organizado, e muito melhor que qualquer outra plataforma que experimentei até à altura. Era tão bom que rapidamente começaram a tentar fazer mais do que blogs com ele.

E aqui é que as coisas se complicam para o Wordpress. Desenha-se uma plataforma especificamente dirigida a blogs, e quando se tenta fazer algo diferente tem-se que martelar, acrescentar plugins, widgets, e acaba-se com uma confusão que põe o utilizador a coçar a cabeça sem perceber como fazer as tarefas mais simples.

Ao longo dos anos, o Wordpress tornou-se uma confusão. É complicado de implementar e não é de todo fácil de usar.

Exemplos

Primeiro (note-se que isto foi há alguns anos e certamente algo melhor há existirá) está a forma como tive que implementar multi-idioma num site WP. Depois de instalar um plugin de idiomas, literalmente tive que escrever ambas as versões de um texto no mesmo campo, separando-os com um código especial, tipo {//english//}, que tinha que escrever à mão no campo de texto. Não me lembro do código exato, nem quero. O que quero focar é que o remedeio é tão sujo que tive que explicar ao cliente que quando quisesse criar uma página, em vez disso fizesse um duplicado de outra que já existia e substituisse o conteúdo. Com cuidado.

Segundo, um site em que estou agora a trabalhar. Um cliente comprou um template da ThemeForest, que vende sites espetaculares por $50, prontos a usar e super costumizáveis. Comprou um bom e barato. Agora está a pagar-me para descobrir como fazer certas coisas no CMS. Estou literalmente a ser pago para experimentar o backoffice, descobrir como se faz isto e aquilo, e escrever um manual.

Terceiro. No mesmo site. Tive que re-escrever um modelo de página para apresentar uma lista de outros artigos do mesmo autor no final. Depois de o fazer fiquei tão chocado com o código que escrevi ao lado a mesma funcionalidade usando ProcessWire. Aqui vai a comparação:

Comparação de código. Mesma função. Wordpress à esquerda, ProcessWire à direita.Comparação de código. Mesma função. Wordpress à esquerda, ProcessWire à direita.

Não é preciso ser um programador. Basta ver como o código da direita é muito mais limpo. O da esquerda, tiro o chapéu a um programador que consiga escrevê-lo sem precisar de procurar qualquer coisa no Google.

Quarto. Este screenshot:

Screenshot da área de gestão do Wordpress admin area, editando uma página com o plugin Visual Composer.Screenshot da área de gestão do Wordpress admin area, editando uma página com o plugin Visual Composer.

Isto é editar uma página no website que menciono acima. Duas coisas tenho a dizer:

  1. Mas que raio?
  2. Olhe para esta confusão! Por onde começo?
  3. Boa sorte a perceber como usar aquele "visual composer". Sabe o que é uma query? É que vai ter que as escrever. Se não sabe vá abrindo o Google.

Bem, foram três, eu sei. As duas primeiras são uma só. Separei-as para efeito dramático.

Porque sou tendencioso para o ProcessWire?

Experiência!

Comecei a usar ProcessWire há cerca de um ano e tive um daqueles momentos eureka em que pensei "É ASSIM que um CMS deve ser."

Lá estava, um CMS que fazia zero suposições sobre o que eu iria desenvolver. Parte-se de uma página em branco, começa-se a definir que campos serão necessários para o conteúdo que se tem. Um artigo de notícias por exemplo. Imagine-o como um tipo de página, ou como se chama no PW, um template. Cria-se um template para artigos de notícia, depois acrescenta-se os campos: título, data, texto, foto. Precisa de múltiplas fotos? Basta definir o número limite do campo de imagens para ilimitado. Precisa de um campo adicional para resumo? Basta adicionar. Coloca-se os campos que são necessários, e mais nada.

Agora, cria-se uma página, escolhe-se o tipo "artigo de notícia", e aparece um formulário limpinho que se explica a si mesmo:

Criar uma notícia no ProcessWire. Tirado de um projeto real.Criar uma notícia no ProcessWire. Tirado de um projeto real.

Depois faz-se o mesmo para produtos, páginas de conteúdo, página de contactos, e por aí fora. Adiciona-se um campo para imagem de cabeçalho, um uma checkbox que define se a página mostra um call-to-action no fim. O que bem lhe apetecer.

Depois no código, o ProcessWire oferece uma forma incrivelmente simples de carregar o conteúdo. Por cada template que se criar, existe um ficheiro PHP na pasta específica com o mesmo nome. Cola-se o código HTML da página e depois onde está o título substitui-se por $page->title. One está a data coloca-se $page->date. Corpo de texto, substitui-se por $page->body. A imagem? Substitui-se por $page->image->url. O mesmo princípio do início ao fim. Chama-se o campo pelo seu nome, obtem-se o conteúdo.

O ProcessWire não tem funções para gerar um link completamente formado a um artigo. Em vez disso, lê-se o URL e título da página e constrói-se da forma que for preciso no HTML. Acaba-se com A) mais controlo, e B) neurónios livres para pensar no que se quer construír em vez do como construír. Quem souber um mínimo de PHP e HTML consegue fazer qualquer coisa com isto.

Simples != básico

Vou-me embora

Tenho trabalho para fazer e o almoço está quase pronto, por isso fico-me por aqui. Se é um developer, sugiro-lhe que dê uma volta no ProcessWire e veja por si. Se é um cliente, acredito que ficará muito melhor servido com ProcessWire no seu próximo site porque vai ter uma plataforma muito mais limpa, organizada, e preparada para o futuro. Mas bem, sou tendencioso como o raio que me parta.

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